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Exportação

Câmara Americana de Comércio

O céu é o limite

Produtores de pedra sabão vão exportar US$ 3,5 milhões para os EUA em 2001 e pesquisam aplicações para a Nasa


O Cristo Redentor, o mais conhecido cartão postal do Rio de Janeiro, também é o cartão de visitas da mineira OPPS – Ouro Preto Pedra Sabão, maior produtora e exportadora de pedra sabão do país. A imagem, símbolo da cidade, é revestida com 1,7 milhão de pastilhas de pedra sabão, material que impede que a estrutura de cimento e aço seja afetada pela ação dos ventos e da maresia.

Essa é uma das qualidades menos conhecidas desse mineral do grupo dos silicatos, já empregado nos tempos de colônia – foi com que ele que o escultor Aleijadinho, maior nome do barroco brasileiro, criou obras como o portal da Igreja de São Francisco, em Ouro Preto, e o conjunto dos Profetas, em Congonhas do Campo.

Versátil, a pedra sabão é utilizada na fabricação de chafarizes, balaústres, pisos, molduras de janelas e outras peças decorativas e, principalmente, para conduzir energia. A pedra sabão suporta com facilidade até 300 graus centígrados e aquece o ambiente ao guardar o calor de lareiras, fornos caseiros e panelas. Graças a essa propriedade, vem encontrando um mercado cada vez maior em todo o mundo. No ano passado, o Brasil exportou mais de US$ 3 milhões em pedra sabão e a previsão para esse ano é chegar a US$ 3,5 milhões.

Na OPPS, em operação há 30 anos, 90% da receita vem das exportações. A empresa produz três tipos de material. A pedra talco representa 5% das vendas. Extremamente maleável, ela se presta à modelagem, sendo utilizada, por exemplo, para desenvolver a capacidade motora de crianças e para produzir utensílios de cozinha e peças de artesanato. As placas usadas na confecção de pias e mesas, mais raras que o granito, correspondem a 40%. O item de maior peso é o revestimento de fornos e lareiras.

A Europa responde por 70% das vendas e 30% são destinadas aos EUA. Mas o mercado americano cresce 5% ao ano, acima do europeu, e sempre que há problemas energéticos, como atualmente na Califórnia, as encomendas aumentam. “Como a energia é um bem escasso, a pedra sabão deverá ganhar mais importância”, calcula Flávio Nunes de Lima, presidente da empresa.

Lima tem outro motivo para apostar no crescimento do mercado americano. É que as jazidas americanas praticamente se esgotaram, enquanto as brasileiras, imensas, nem têm ainda sua dimensão delimitada. As exportações só não são maiores porque os custos locais de exploração e comercialização são maiores que os da Finlândia, maior produtor mundial. A OPPS mantém um acordo com os finlandeses. Eles não entram no mercado da empresa brasileira – principalmente o revestimento de pequenos fornos e lareiras – e esta, por sua vez, não ameaça seu nicho – o dos grandes fornos e lareiras.

Outra razão é a falta de capital para investir em ações de marketing mais agressivo. Mesmo assim, Lima sustenta que não há espaço para todos os produtores brasileiros – nos últimos anos foram criadas muitas empresas – no mercado externo. A saída, na sua opinião, seria aumentar as vendas internas e abrir novas frentes lá fora. É o que a própria OPPS está fazendo, com a pesquisa de novas aplicações para a pedra sabão, que incluem equipar os foguetes da Nasa.