Revista Veja Edição 1 647 -3/5/2000
http://veja.abril.com.br/030500/p_090.html

 

As luzes do Cristo

Nova iluminação restitui cor original do
monumento mais famoso do Brasil

Marcelo Camacho


Selmy Yassuda


Desde a semana passada o cartão-postal mais famoso do Brasil está de roupa nova. Durante o dia, quem visita a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, já pode ver o monumento novamente em sua cor original. Depois de uma cuidadosa lavagem, a fuligem acinzentada que se acumulou sobre a imagem nos últimos dez anos desapareceu. Em seu lugar surgiu a coloração verde-água natural do revestimento de pedra-sabão. A grande novidade, porém, acontece à noite. A estátua era iluminada por um tipo de luz amarelada desde 1980. Agora, quem observa o Cristo após o escurecer vê uma iluminação branca, que realça o tom esverdeado do monumento. A intenção foi fazer com que, mesmo à noite, a estátua pudesse ser apreciada de longe em sua cor original. O resultado causou certa estranheza, fazendo o Cristo Redentor parecer um daqueles santinhos fosforescentes que brilham em muitas mesinhas-de-cabeceira Brasil afora. "Uma das características do meio urbano é a dinâmica. Os cariocas assimilarão a nova iluminação rapidamente", prevê o arquiteto Paulo Casé.

Era desejo da Arquidiocese do Rio de Janeiro reformar a iluminação do Cristo para comemorar o jubileu do ano 2000. O comitê de empresas responsável pela empreitada pensou em várias soluções. Cogitou-se uma iluminação volante, que mudasse de cor a cada dia da semana. Pensou-se também em um sistema de holofotes multicoloridos para ser acionado em ocasiões festivas, como a noite de Ano-Novo. A arquidiocese recusou as propostas mirabolantes. "O Cristo é um símbolo que não pode ser motivo para muito carnaval", diz Ricardo Piquet, gerente de projetos da Fundação Roberto Marinho, uma das organizações que participaram da reforma. Acabou-se optando pela sobriedade da luz branca, que revela a coloração original da estátua. São dezesseis projetores de 1 000 watts cada um.

Durante sessenta dias, entre janeiro e março, a estátua esteve coberta por andaimes, obrigando os visitantes a circular na área com capacete na cabeça. A reforma não ficou apenas na iluminação. Além da lavagem da estátua, foram restaurados 10 metros quadrados de sua superfície externa. Por dentro, a estrutura de concreto ganhou uma malha de titânio para impedir que a corrosão afete o revestimento externo de pedra-sabão. A estrutura metálica que sustenta os refletores da iluminação noturna, um trambolho que poluía a visão do local, também foi escondida embaixo da balaustrada de concreto que cerca o mirante. Essa primeira parte da reforma do Cristo Redentor consumiu 700 000 reais. Mais 2,8 milhões serão empregados na etapa de obras que se iniciou na semana passada. Uma das queixas recorrentes dos 500.000 turistas que visitam o Cristo a cada ano é a dificuldade de enfrentar os 215 degraus de escada que levam ao mirante principal. Uma alternativa está sendo construída, com a instalação de um conjunto de elevadores e uma escada rolante que fará o visitante subir quase 60 metros com o mínimo esforço. A previsão é que tudo esteja pronto até o Natal.